Haddad sanciona Plano Municipal de Educação: 'O mais ousado do país'

Plano prevê aumento da verba para educação a 33% do orçamento, redução do número de alunos por sala e liquidar a fila de espera em creches.



Rodrigo Gomes - Rede Brasil Atual,


São Paulo – O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), sancionou hoje (17), sem vetos, o primeiro Plano Municipal de Educação da capital paulista, exaltando-o como o plano mais avançado do país. “Me causa perplexidade que o maior centro econômico e financeiro do país só hoje tenha um plano de educação. É certamente o mais avançado do país. Nós somos a única cidade a destinar um terço de seu orçamento à educação”, afirmou o prefeito. O plano foi aprovado na Câmara Municipal no mês passado e tem validade de dez anos, com uma série de metas a serem cumpridas nesse período.
A principal meta é o aumento da verba obrigatória à educação municipal. O percentual foi ampliado dos atuais 31% do orçamento da cidade para 33%. O que equivale a um acréscimo de R$ 700 milhões já no primeiro ano de aplicação do plano. No entanto, o plano entregue aos vereadores, oriundo da Conferência Municipal de Educação de 2010, previa que fosse destinado 35% do orçamento de São Paulo. O valor foi reduzido na Comissão de Finanças da Câmara.
Outra meta é zerar a fila de crianças em creches nos próximos dez anos. Para o prefeito, tal objetivo será alcançado ainda em 2018, seis anos antes do que preconiza, até mesmo, o Plano Nacional de Educação. “Só este ano nós vamos bater o recorde de abertura de vagas em creches. Serão 33 mil, o equivalente a abrir uma creche por dia letivo na cidade”, afirmou Haddad.
A redução do número de alunos por sala de aula é outra meta que o prefeito garante total empenho em cumprir. Hoje, as salas de aula da rede básica municipal têm entre dez e 30 alunos por sala. Mas isso varia de acordo com o tipo de ensino: berçário, creche, pré-escola, fundamental. A redução proposta é da ordem de 15% a 20% no número de alunos por turma.
Para o secretário municipal da Educação, Gabriel Chalita, no entanto, é preciso primeiro garantir o acesso de todas as crianças à escola. E isso pode atrasar a meta de redução de alunos por sala. “Às vezes, as pessoas exaltam a escola do passado como algo de excelência. Mas quantos alunos havia? Era um tempo em que se acreditava que tinha gente que podia estudar e gente que só devia trabalhar. Nós vamos trabalhar com a meta de não ter crianças fora da escola em São Paulo”, afirmou.
Questão mais polêmica durante toda a tramitação do plano na Câmara Municipal, a exclusão de discussões de gênero e diversidade sexual, com objetivo de evitar a evasão escolar motivada por discriminação, foi minimizada pelo presidente da Câmara, Antonio Donato (PT). “Temos certeza de que o plano tem todos os instrumentos para combater discriminação e preconceito”, afirmou.
Todos os itens do plano que continham os termos foram alterados ou excluídos pelos vereadores. Um grupo de mulheres, travestis e transexuais compareceu ao evento protestando contra a exclusão dos itens e cobrando políticas de combate à discriminação de gênero e orientação sexual.
Haddad afirmou que isso não vai impedir o combate à discriminação por gênero ou orientação sexual. E destacou que a cidade criou o primeiro programa de inclusão social e capacitação profissional do país voltado especificamente para travestis e transexuais, o Transcidadania. “É preciso expandir o conceito de educação. Claro que a gente quer estudantes espertos que leiam bem, interpretem. Mas é preciso educar para a cidadania. É preciso conviver e aceitar o diferente, a diversidade. Podemos melhorar e muito essa cidade se valorizarmos a diferença”, disse.
O plano ainda oficializou a instância dos conselhos escolares, com garantia da participação de alunos, professores e pais. E também reconheceu o Fórum Municipal da Educação como instância de debate e elaboração de propostas para a política educacional do município. O plano ainda vai ganhar uma página na internet para a população acompanhar a execução e o cumprimento das metas.
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