RODOANEL NORTE: O IMPACTO AVANÇA.

Enganam-se os que pensam que a obra do Rodoanel Norte está parada, devido aos escândalos da operação Lava Jato.  Atravessando cinco distritos da ZN, sempre rente ao verde da serra, a obra segue no seu cortejo de impactos ao meio ambiente. Quando se imaginava que a cidade de São Paulo pararia de inchar, eis que uma obra gigantesca chega ao último reduto preservado: a serra da Cantareira, a 11 km do centro da cidade.  Segundo o site da DERSA, o “colar” de concreto, barulho e fumaça tem previsão de fechar, com o trecho Norte, em Junho de 2017.


Vista a partir da Pedra Branca, no cruzamento da obra com a Estrada de Santa Inês.

ZN na Linha,

AMEAÇA – Toda a região ao pé da Cantareira era conhecida como “fim de linha”, pois a serra funcionava como um limitador ao crescimento da cidade.  O  trenzinho da Cantareira foi desativado no final da década de 1960,  e a região, relativamente isolada, permaneceu com grandes lotes verdes remanescentes de chácaras e fazendas antigas.  Na passagem de 1980 para 1990 teve início as grandes “invasões” dessas terras, com loteamentos irregulares começando a degradar ambientalmente a região.   Com a chegada do Rodoanel Norte o cinturão verde de proteção ao Parque Estadual da Cantareira sofre ameaça terminal.
LAVA JATO  –  Atravessando Jaraguá, Brasilândia, Cachoeirinha, Mandaqui e Tremembé, e dividida em seis lotes tocados por consórcios diferentes, a obra tem ritmos distintos conforme o trecho.  O lote 1, liderado pela empresa Mendes Junior, é o que tem maior lentidão, uma vez que essa empresa está afetada pelas investigações da operação Lava Jato (veja matéria da Folha AQUI).  Já próximo ao Tremembé a quantidade de grandes caminhões que transitam pela av. Luiz Carlos Gentile de Laet mostra que a obra tem um ritmo mais acelerado.
A rodovia vai passar nessa mata, bem rente às casas no Jardim Itatinga.
DEGRADAÇÃO – Analistas de tráfego  já mostraram que, dos quatro trechos do traçado completo, o trecho Norte é o menos importante para o transporte de mercadorias.  Caminhões que chegam pela Anhanguera (primeira rodovia a Oeste) e buscam o porto de Santos, podem pegar o trecho Oeste.  Caminhões que chegam pela Fernão Dias e buscam o litoral, poderiam fazer uso da Rodovia Dom Pedro I em Atibaia, e seguir até a Dutra, ou ainda antes, com a construção de estradas de menor impacto até a região de Arujá.  Isso evitaria degradar ambientalmente a Serra da Cantareira junto à sofrida cidade de São Paulo. 
HISTÓRICO – Por volta de 2002, quando teve início a construção do Rodoanel, o projeto  indicava o começo das obras pelo trecho Norte, e seu traçado passaria por Mairiporã e Caieiras, do “outro lado” da serra da Cantareira.  Um intenso movimento em defesa da serra teve início, alertando para os riscos que a obra ofereceria para o abastecimento de água junto à represa Paiva Castro, última represa do Sistema Cantareira.  Os empreendedores mudaram a estratégia e decidiram iniciar a obra pelo trecho Oeste, de menor resistência ambiental.  A obra contornou a cidade, até voltar ao trecho Norte,  cujos trabalhos começaram exatamente em 12 de Março de 2013.
Aviso de explosões no Jardim Itatinga.
PARQUES? – Hoje a grande preocupação, além do prejuízo aos serviços ambientais oferecidos pelo Parque Estadual da Cantareira à metrópole, é o risco de invasões das enormes áreas livres, particulares, que serão atravessadas pelas pistas.  A gestão do prefeito Gilberto Kassab sinalizou com a transformação de mais de 14 milhões de m2 em  12 parques de borda (veja AQUI) junto à serra.  Foram lançados DUPs – Decretos de Utilidade Pública, mas muitos já caducaram, porque a prefeitura não procedeu às desapropriações.  
COMPENSAÇÕES? – A tendência é o Rodoanel servir menos como tráfego de passagem de caminhões pela cidade, e mais como uma nova avenida de interligação entre as regiões da metrópole, como já acontece em outros trechos.  Congestionamentos junto à serra da Cantareira, com barulho e fumaça afugentando a fauna...  Quem um dia poderia imaginar que isso aconteceria na serra da Cantareira?  E as compensações ambientais, alguém tem notícia delas?
A obra segue no vale do Guaraú.


Minudências:
@ As fotos acima são da Pedra Branca em direção à várzea do córrego Guaraú, no distrito Mandaqui, a exatos 11 km do centro de São Paulo. Foram batidas em 09/06/2105.
@ Havia uma orientação para o Rodoanel não passasse a menos de 20 km do centro.  Considerando a distância do Rodoanel Norte em direção à Zona Sul, é como se a obra passasse em cima da estátua do Borba Gato, no Brooklin, a 11 km da Sé.
@ Veja AQUI notícias da obra pela DERSA.
@ Veja AQUI a luta pelo meio ambiente no Blog do Rodoanel Norte.

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