Documentário retrata o músico Paulo Moura


'Paulo Moura - Alma Brasileira' revê o artista aberto a muitas vertentes e comprova seu talento


Autoridade musical reconhecida em filme de Escorel - Luiz Garrido/ Acervo familiar
Zuza Homem de Mello - Especial no Estadão
A figura serena de Paulo Moura (1932-2010), na entrevista que se espalha por todo o filme dirigido por Eduardo Escorel, traz à tona e de viva voz traços marcantes de sua personalidade musical que fica bastante evidente no trecho em que ele se refere com admiração a Pixinguinha. Sempre vi Paulo Moura como o músico brasileiro que mais se parecia com Pixinguinha, como instrumentista e com a atividade abrangente de autor, arranjador e regente. O filme Paulo Moura - Alma Brasileira corrobora plenamente minha percepção, a de que meu querido amigo de intermináveis horas de conversas foi não um seguidor, mas uma continuação de Pixinguinha.
Igualmente merece destaque no filme o aspecto que Paulo cultivou por toda a sua vida, de tocar para dançar, como é abordado em outro trecho do depoimento. Tocar para dançar, ao contrário de ser uma atividade secundária, era para Paulo de importância fundamental na sua carreira, e isso o filme também valoriza em vários outros momentos em que está tocando e se divertindo.
Paulo também dava importância ao improviso de caráter jazzístico, o que fica patente no seu solo em Só Louco no programa Jazz Brasil. Na cena seguinte, em que toca com o baterista Paschoal Meirelles, numa execução tão experimental quanto certas gravações do clarinetista/saxofonista Jimmy Giuffre, fica patente seu lado vanguardista. E também quando Paulo toca Mozart, o que apenas músicos como Benny Goodman, um dos que tanto admirou, conseguiram.
Além da atividade de músico aberto a tantas vertentes, uma marca que é valorizada na obra de Paulo Moura através dos 3 instrumentos que tocou em fases diferentes (clarinete, sax alto e sax soprano), Paulo Moura - Alma Brasileira se debruça também sobre sua atuação como regente em várias cenas (quer à frente de uma big band no Festival de Jazz do Anhembi, quer seja dirigindo uma grande orquestra no Teatro Municipal de São Paulo no espetáculo de Milton Nascimento), o que também o coloca como mais que um músico executante. Paulo mostra através dessas e outras cenas a autoridade musical que pautou sua carreira mesmo quando não soprava o instrumento.  Em outras, o filme revela como Paulo se empenhava para superar obstáculos em execuções que marcaram sua trajetória.
Alma Brasileira traz à tona atuações relevantes, valorizando o variado espectro de sua carreira dedicada à música brasileira e - para quem como eu privou de sua amizade por mais de 40 anos, testemunhando sua trajetória - coloca sua figura na posição ímpar, como verdadeiro ícone de inspiração aos jovens.
Paulo Moura - Alma Brasileira não só deixa claro que Paulo dedicou sua vida à música, conseguindo com seu talento e dedicação se tornar um dos maiores músicos brasileiros de todos os tempos, como faz justiça ao reconhecimento que teve em vida no País e no exterior, num exemplo de amor à música por toda a vida.
Zuza Homem de Mello é crítico musical e escritor.
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Paulo Moura - Espinha de Bacalhau



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