MÚSICAS E INTERPRETAÇÕES - LUCIO CARDIM.



Nascia em 07 de Junho de 1932 na Santa Casa de Misericórdia, na cidade de Santos-SP, uma criança que recebia o nome de Lucio Cardim Filho, onde mais tarde usaria apenas o pseudônimo de seu pai "Lucio Cardim".Filho de uma dona de casa e um funcionário público (Cipriana Olga Braga e Lucio Cardim), era o caçula dos irmãos (Ady, Ilsa, Diorama, Chislon, e Lucinho) Lucinho ouviu por toda sua infância e adolescência, o rádio de ondas curtas da família, onde as músicas vinham direto das rádios paraguaias, e também, dava as últimas notícias da 2ª guerra mundial. Sua maior escola musical foi ouvindo guaranias e tangos, naquele então rádio de válvulas.
Já aos 14 anos pertencia a um trio onde tocava gaita, formado por Lucio, Fredí e mais um amigo, mas seu maior desejo e objetivo era de fato ser cantor, pois as vozes que vinham do rádio o fascinavam. Aos 15 e 16 anos, alem de tocar gaita, também cantava, mas não havia ainda aprendido a tocar violão. Participava do programa: Dindinha Sinhá e sempre se inscrevia nos concursos da Rádio Atlântica e da Rádio Clube, ambas de Santos. Ficava entre os primeiros colocados, mesmo concorrendo com os adultos.

Numa dessas finais, Lucinho ia disputar ao primeiro lugar com seu adversário Lourival Lacerda, cantando o tango Mano a Mano, e ao chegar a sua vez, o conjunto que deveria acompanhá-lo, o Regional de Maurici Moura, tocou um tom acima do solicitado por Lucio. Foi prejudicado e perdeu o concurso. Foi para casa, treinou tocar violão durante quase um mês, e quando se julgou habilitado para se acompanhar, inscreveu-se novamente, e ai então, ganhou o concurso fazendo jus ao único prêmio, um pequeno troféu, o qual está em posse da família até hoje. Ao ganhar o concurso, a pequena cidade balneária paulista, com vida noturna crescente, em função do porto e das praias que estavam na moda, Lucinho passou a cantar na noite. Quase todos os restaurantes e bares noturno, o conheciam, solicitando-o e forçando-o a chegar sempre muito tarde ou muito cedo em casa, dependendo do ângulo o qual interpretamos.
Seu padrasto, sempre o chamava de vagabundo, pois naquela época, ser músico era sinônimo de pessoa irresponsável e inconseqüente. Numa daquelas madrugadas, após longa discussão, Lucinho disse ao padrasto, então me arrume um emprego, para que eu possa cantarminhas músicas nas horas vagas sem ter que dar satisfação a ninguém.

Dito e feito, a pedido do chefe da casa, apresentou-se na parede da estiva, e foi bagrinho por quase 3 anos, carregando e descarregando navios, na sua grande maioria sacas de café e açúcar. Carregava sacas pela manhã, dormia à tarde, e ia em busca do seu sonho, nas noites calorentas daquela cidade praiana.
Já aos 20 anos, deixa a vida de recruta da Aeronáutica, para casar-se com Iracy Oliveira, com quem teve dois filhos: Antonio Lucio Cardim e Sandra Regina Cardim passaram cinco anos vivendo juntos, até chegar à separação. Um ano depois, conheceu Celina Brison, a qual viveu durante 20 anos e teve Paulo Edison Cardim. Em 1978, apaixonou-se pela beleza e juventude, de Vera Lucia, a qual lhe proporcionou a chegada de sua filha caçula, Geiza Liz Cardim, nome este em homenagem a atriz norte americana, Elizabeth Taylor, conhecida na época com Liz Taylor.

Morte: Sem nunca ter consumido bebida alcoólica, manifesta-se um câncer no pâncreas, proveniente de má alimentação. Falece no Hospital Matarazzo (São Paulo) após cirurgia, em 03/06/1982 (4 dias antes de completar 50 anos).
Patrimônio: Deixa 250 composições, 90 gravadas nas mais importantes vozes da época, como: Jamelão, Ângela Maria, Cauby Peixoto, Altemar Dutra, Nora Nei, Marta Mendonça, Nelson Gonçalves, Chitãozinho e Chororó, Dupla Ouro e Prata, Wilson Miranda, Maria Bethânia, Simone e tantos outros.
Jamelão - 1981


Nelson Gonçalves


Simone - Show no Bourbon Street em 2006


Chitãozinho & Xororó


Sandra Duailibe,Clube da Bossa Nova, Brasília, 03/2011 Piano: Marcos D'Abreu, Violão: Eustáquio Pereira, Baixo: Daniel Jr, Guitarra: Zareth, Bateria: Sr. Nelson


Matriz ou Filial
De: Lucio Cardim

Quem sou eu pra ter direitos exclusivos sobre ela
Se eu não posso sutentar os sonhos dela
Se nada tenho e cada um vale o que tem
Quem sou eu pra sufocar a solidão da sua boca
Que hoje diz que é matriz e quase louca
Quando brigamos diz que é a filial

Afinal se amar demais passou a ser o meu defeito
É bem possível que eu não tenha mais direito
De ser matriz por ter sòmente amor pra dar

Afinal o que ela pensa em conseguir me desprezando
Se sua sina sempre é voltar chorando,
Arrependida, me pedindo pra ficar


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